SOSsego Vila Madalena

Minha foto
Vila Madalena, São Paulo, Brazil
o SOSsego Vila Madalena é um grupo de moradores do bairro que nasceu do grupo de trabalho “Diversidade e conflitos de Uso” criado na nossa Oficina do Bairro com Raquel Rolnik. o objetivo do grupo SOSsego é realizar ações e encaminhamentos junto às autoridades, para resgatar a nossa qualidade de vida prejudicada pelos excessos de uso recreacional nos bairros de Pinheiros. Somos moradores voluntários, sem interesse político. Desejamos um convívio harmonioso entre os setores comercial e residencial, para que desenvolvamos um COMÉRCIO SUSTENTÁVEL, a fim de reverter a degradação do nosso bairro. reunimo-nos regularmente na Paróquia de Sta. Maria Madalena, rua Girassol, 795. temos representantes constituídos na maioria das ruas do bairro, enviamos informes para os nossos membros por e-mail toda semana, e fazemos representações defendendo os nossos interesses em reuniões locais e no âmbito municipal. Temos feito abaixo assinado, petição, um mapeamento sonoro e debates.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº112 - urbanismo e justiça

Boa noite Vizinhos,
1. encontro MP e Blocos de Carnaval.
Na quarta feira, 08-10-2014, em mais uma tensa reunião sobre o Carnaval 2015 na Subprefeitura de Pinheiros, o promotor de Justiça de Habitação e de Urbanismo Mário Augusto Vicente Malaquias recebeu demandas de representantes dos blocos e da comunidade local. O especialista e mediação de conflitos urbanos depois esclareceu que era muito mais preferível chegar em um acordo comum do que por meios judiciais. Sobre o uso do nosso bairro tanto durante o Carnaval (dos blocos) quanto ao resto do ano (dos bares) disse que todos devem respeitar as leis por vontade própria, pois que ninguém queria restringir os direitos do outro mas tampouco não terão apoio público para uma repetição das cenas da Copa do Mundo.
Conforme dito na reunião anterior, eu disse novamente que mesmo tendo representantes eleitos do CPM, do CADES-PI presentes, não tínhamos o direito de ceder os direitos de sossego de uma comunidade inteira, constatação que gerou a mesma resposta dos blocos dizendo que o nosso abaixo assinado de 1440 assinaturas representava apenas uma minoria, pois eles eram a maioria que queriam o Carnaval sem limites no bairro. Curiosamente, tinham vários blocos de bares e casas noturnas presentes, comprovando o interesse econômico na comercialização da festa e não a manifestação espontânea de liberdade defendida.
O promotor destacou que a Vila Madalena, apesar de ser emblemático, não era o único caso de desrespeito do uso e ocupação do solo na Cidade. Sobre os CONFLITOS DE USO -um zoneamento de uso misto permitia justamente ambos usos e portanto os moradores não eram obrigados a abrir mão do seu direito de sossego a favor dos comércios. A lei favorece os mais fracos e os comércios que não respeitarem terão que se enquadrar - mesmo que a justiça demorar, prevalecerá (o caso da mensalão serviria como exemplo disso).
Referente às propostas da Secretaria de Cultura de PRIVATIZAR O ESPAÇO PÚBLICO (a venda de marcas de cerveja e comercialização do evento) o promotor foi enfático: isso era proibido.
Em tom conciliador, encerrou a sua apresentação dizendo que seria importante contemplar todos os lados num plano de bairro. 

Segue um link com o  relato oficial da reunião publicado no site do CPM contendo um contra ponto enviado por representantes da comunidade.


2. Alvará sem Habite-se
Conforme matéria no Estadão o órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou inconstitucional e suspendeu, no dia 08-10-2014, a lei da Prefeitura que liberou bares e casas noturnas que obtiveram alvará de funcionamento definitivo sem a obrigatoriedade de licenças municipais como o Habite-se e o auto de regularização de obra. A lei noticiada no nosso informe nº 49 já permitiu dezenas de estabelecimentos que geram impactos de vizinhança no bairro permanecerem sem as mínimas condições de funcionamento.
3. Redução da Multa do PSIU
No mesmo dia a 18ª reunião da Comissão de Política Urbana Metropolitana e Meio, presidida pelo vereador Andrea Matarazzo aprovou o PL 171/2013 do Vereador ALFREDINHO (PT) que ALTERA A LEI 12.879 assim propondo a redução das multas do PSIU de excesso de ruído e funcionamento após do horário com a justificativa que a "multa imposta aplicada é de valor superior a sua capacidade de pagá-la, porque quase sempre a renda mensal obtida é fruto do esforço da atividade economia familiar" -Informe SOSsego Vila Madalena nº 46
Lembramos mais uma vez sobre a promessa do Fernando Haddad no seu primeiro dia com Prefeito que não teria alteração no lei, fato cobrado por abaixo assinado e entregue em mãos.
Atualmente a multa para a primeira atuação para quem não tiver alvará fica em 300 UFM, mas se uma casa noturna que já conseguiu seu alvará sem habite-se pagaria numa escala de 50 a 150 UFM, ou r$12.218 com lotação até 100 pessoas, a faturamento de poucas noites de "esforço familiar".
Com a nova proposta, a primeira multa ficaria em apenas 10 UFM ou r$1.218 um valor irrisório até para os bares menores.
Como é de notória dificuldade conseguir uma fiscalização do PSIU, sucateada pelo Município, e os infratores perceberem com facilidade a presença dos fiscais que vêm acompanhados por um comboio da GCM, luzes acesas, vamos protocolar uma solicitação na Prefeitura que a lei seja vetada ou pelo menos terá uma escala de acordo com o tamanho do estabelecimento e a sua capacidade real de pagar.
4. Zoneamento anti Vila Madalena
Conforme matéria na Folha de São Paulo no dia 10-10-2014, poderemos nos beneficiar de limites de bares na nova lei de zoneamento (LPOUS).
Porém, ao contrário do citado na matéria, não estarei "celebrando" a proposta, pois após tanta promessa, desconfiamos da probabilidade da medida ser aprovada, e defendemos há tempo que todos os bares e casas noturnas que geram impactos de vizinhança como música ao vivo e transtornos noturnos, sejam classificadas como INCÔMODOS e INCOMPATÍVEIS COM O USO RESIDENCIAL e sujeitos a estudos que avaliem seu impacto nas residências do seu entorno.
5. Menos uma vizinha
Estamos torcendo para a rápida alta da nossa vizinha próxima, que não aguentou o efeito devastador da vida boêmia do bairro e foi internada no sábado passado, após duas noites sem dormir. Mais uma vítima, e mais um motivo para continuar a luta.
SOSsego Vila Madalena

domingo, 28 de setembro de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº110 - o socialismo de cerveja

Boa noite Vizinhos,
temos mais notícias preocupantes sobre o socialismo de cerveja atuante no planejamento da nossa cidade. Para quem não conhece, a Inglaterra tinha os seus "champagne socialists" mas aqui é na base da cerveja:
1. Ao contrário das nossas reivindicações protocoladas durante as consultas do novo Plano Diretor Estratégico de tratar casas noturnas e "centros culturais" como incômodos e incompatíveis com o uso residencial, a Folha de São Paulo de hoje trouxe matéria de 3 páginas confirmando a intenção da Prefeitura, a pedido do Associação Comercial de São Paulo, de liberar as atividades nocivas em vias locais dos bairros. A ideia(s!) defendida pelo nosso célebre incorporador Otávio Zarvos, como uma solução de mobilidade urbana, deve ser regulada pelo novo uso e ocupação do solo até o final do ano.
E para quem já fugiu da Vila Madalena à procura de sossego, os outros bairros já estão temendo um "Vila Madalenização". Segundo o presidente do Defenda São Paulo, Alex Canuto "É um absurdo, há um lobby muito forte do setor comercial na Câmara e Prefetura".
De tanto sucesso que o uso misto teve aqui na Vila Madalena em "desapropriar" os moradores tradicionais, poderemos exportar para o restante da cidade mais um exemplo de uso misto local criativo: a nossa unidade de atendimento prévia de saúde localizada dentro de uma insalubre casa noturna na rua Belmiro Braga, onde para o desgosto dos moradores que sofrem de doenças provocados pelo barulho noturno, o exame é feito no palco, frente aos outros pacientes, ao lado de um lago podre de tartarugas infestado com mosquitos da dengue.
2. Morte no Velódromo.
Segundo a morte trágica do estudante do SENAC Victor Hugo Santos de 20 anos durante uma mega festa com 5 mil pessoas no dia 20 de setembro promovida pelo Grêmio da Poli na USP, uma comissão da Medicina quer que a USP assuma a sua responsabilidade em casos de abuso sexual e consumo excessivo de drogas e álcool nas muitas festas "atléticas". No entanto Ricardo Rolim, o diretor de relações institucionais e sustentabilidade da AMBEV  que apoia a maioria dos eventos diz que as suas ações estão diminuindo o consumo excessívo de bebidas no pais.....
3. Prefeitura quer lucrar com cerveja no Carnaval 2015.
Este mesmo raciocínio inebriado foi usado pelo representante da Secretaria de Cultura, Sr. José Mauro Guaspini durante a reunião do carnaval no CONSELHO PARTICIPATIVO MUNICIPAL, dia 24 de setembro, quando relatou os planos da prefeitura de procurar uma "solução de mercado" com as marcas de cerveja para "garantir" cerveja barata em quantidades suficientes para quebrar a máfia dos ambulantes e assim evitar excesso de consumo durante a festa (hic!)... A prefeitura pode regular o cadastramento dos ambulantes e acham melhor que o dinheiro do patrocínio virá para os cofres do município ao invés de ir para os blocos.
Da mesma forma o Subprefeito Angelo Filardo, ao contrário de que reivindicamos, achou que para reduzir o impacto de vizinhança era melhor ter um período maior para o evento (Pré, Carnaval, e Pós), pois seriam vários eventos de menor porte. Porém quem quisesse desfilar fora da época poderia, pois não era obrigatório de ter um Termo de Uso do Espaço Público para tal atividade.
Foram protocoladas mais duas cópias das nossas reivindicações, mas aparentemente pouco vai adiantar, pois a reunião sem ata foi conduzida por representantes (eleitos de forma contestável) sob o pretexto de mediar um conflito, obrigando a comunidade de receber mais um mega evento, onde o poder público ficou firmemente ao lado dos blocos cujos representantes, além de fazer declarações de apoio partidário, se faziam de vítimas dos moradores fascistas que estavam reprimindo seu direito de se divertir e brincar (ao custo do nosso direito de sossego, paz e uma cotidiana livre de manifestações revolucionárias).
Enfim a lista de presença não deixou dúvidas sobre a parcialidade da reunião, pois o SOSsego Vila Madalena foi obrigado a virar um bloco:



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº108 - Juca promete a maior carnaval de Brasil para São Paulo

Boa noite Vizinhos.

Não temos  boas notícias da mesa redonda do 2º Seminário de Carnaval de Rua  onde fui convidado como representante do bairro na segunda-feira dia 2 de setembro.


agenda divulgada:
Mesa 3 - Balanço do Carnaval de Rua de São Paulo - 2014
dia 2/9 - terça - das 18h30 às 22h30
com: Fernando Haddad - mediadores: João Brant, Guilherme Varella e Tom Green - blocos: Vai quem quer, Agora vai, Acadêmicos do Baixo Augusta, Candinho, Gueri-Gueri, Pilantragi, Bloco 77
O Carnaval de Rua de São Paulo agora integra o calendário oficial de eventos da cidade, o que evidencia o reconhecimento da sua dimensão cultural, simbólica, econômica e turística.
Em 2014, a Secretaria Municipal de Cultura apoiou a festa de diversos blocos de rua, muitos deles já tradicionais na cidade, e estes compõem esta discussão, juntamente com órgãos de participação essenciais nas comemorações de rua.
A mesa promove reflexões e troca de experiências acerca do que já se realizou na cidade em termos de Carnaval de Rua, a fim de entendermos como se deu a organização do evento e como podemos aperfeiçoar a festa de 2015


Em estilo improvisado que talvez seja a marca registrada da nova gestão, o secretário da cultura, Juca Ferreira ficou no lugar do Prefeito e desmontou a mesa. Para piorar tiraram a minha cadeira, mandaram-me descer do palco e deram 3 minutos de fala como a única voz crítica à festa contra as hordas que aplaudiam e enchia de elogios ao secretário e à Prefeitura.

O Juca recusou-se de receber a nossa petição, e mandou protocolar na secretaria. Não cabia a mim frisar para o secretário que a petição é um direito constitucional e se tinha o poder e competência para realizar a audiência, teria o DEVER de receber os requerimentos.

Quando expliquei para a plateia que estava representando os moradores e comerciantes pelas 1330 assinaturas do abaixo-assinado, que seria talvez 10% da população moradora das áreas mais afetadas, uma moça de um bloco do bairro rebateu que ela representava os outros 90% do bairro que nós estávamos tentando reprimir...

Eu contei que o bairro não comportava tantos blocos, e que a qualidade de vida no bairro havia degradado muito em virtude do uso excessivo cultural. As pessoas estavam vendendo as suas casas, fechando os comércios tradicionais e até se jogando do terceiro andar, igual à uma vizinha nossa na semana passada, então pedi que os blocos se sensibilizassem um pouco ao nosso sofrimento.

Este argumento porém provocou ainda mais raiva da plateia que aprovetava a sua maioria para afirmar que o nosso direito deve se sujeitar à vocação boêmia do bairro e que quem se incomodava "deveria vender a sua casa e se mudar para Itu" (o representante da Vai quem Quer é de Brasília) acrescentando que na Vila Madalena não há sossego, não era possível.

Terminado o linchamento do gringo chato, descobrimos que os blocos querem vender cerveja e ter verba para carros de som ainda mais potentes, porque as multidões cada vez maiores não ouvem mais o samba. Querem também distribuir um KIT CARNAVAL para a comunidade com instrumentos musicais.

De fato a prefeitura já começou a gastar, cada participante ganhou um kit com bolsa, caderno e impressos em quatro cores, que contrasta com as 600 xerox em papel sulfite que tivemos para divulgar a consulta do PDE no bairro, só faltou a camiseta eleitoral.

Mas o pior estava para vir, pois o Juca respondeu que não iria impor qualquer mudança da rota dos blocos e prometeu para São Paulo "o maior carnaval do Brasil dentro 2 ou 3 anos" (senão este ano, pois segundo relatos já são mais de 200 blocos cadastrados). 

Para isso os Paulistanos serão representados em breve por mais uma "instância participativa" o Conselho do Carnaval - viva a democracia e o samba!

Devemos agradecer o nosso Subprefeito que talvez foi a única pessoa com os pés amarrados no chão (admitindo que o MP já estava nas suas costas) e ponderou que de repente o "cobertor" estava ficando curto para fiscalizar mais uma mega festa de 1 mês e meio....

Obrigado Angelo, lembrando a sua promessa anterior de "partir por cima", senão não estaria aqui para o Carnaval 2015.



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº107 -URGENTE- seminário carnaval 2015

Boa noite Vizinhos.
Como podemos perceber pelo convite a seguir da Prefeitura de São Paulo, o Movimento Carnavalesco, e a indústria de bebida não medirão esforços para que o Carnaval 2015 seja o maior e mais caro de todos os tempos.

Eu recebi um convite para representar os moradores da Vila Madalena e bairros próximos na mesa redonda do 2º Seminário de Carnaval de Rua na segunda feira 02-set às 18:30h, com participação de representantes da Subprefeitura de Pinheiros e conselheiros do nosso Conselho Participativo Municipal.

Como as negociações dos nossos "representantes" de entregar mais uma vez o bairro por 3 finais de semana ao caos total (pré carnaval, o carnaval e pós carnaval) já encontram-se em fase adiantada, penso que o SOSsego Vila Madalena deve aproveitar a oportunidade para protocolar um ofício com as demandas da comunidade legitimada pelas 1424 de assinaturas colhidas após a copa.

Desta forma, peço que nossos membros enviem logo as suas sugestões para que o texto fique pronto durante este final de semana.
Lembrando que quem quiser ocupar e quem é responsável por zelar pelo espaço público têm o dever de respeitar os direitos dos moradores e comerciantes do bairro conforme o código civil, penal e até o novo Plano Diretor Estratégico:

Art. 5º Os princípios que regem a Política de Desenvolvimento Urbano
e o Plano Diretor Estratégico são:
I - Função Social da Cidade;
II - Função Social da Propriedade Urbana;
III - Função Social da Propriedade Rural;
IV - Equidade e Inclusão Social e Territorial;
V - Direito à Cidade;
VI - Direito ao Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado;
VII - Gestão Democrática.
§ 1º Função Social da Cidade compreende o atendimento das
necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social, ao acesso universal aos
direitos sociais e ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental, incluindo o direito à terra
urbana, à moradia digna, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte, aos
serviços públicos, ao trabalho, ao sossego e ao lazer.


Na prática percebemos porém que os autores deste novíssimo projeto de lei só pensam em enfiar cada vez mais pessoas dentro de espaços cada vez menores para consumir cada vez mais.
Um abraço,



terça-feira, 26 de agosto de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº106 -Tombamento dos bares da Vila Madalena

Boa noite Vizinhos,
1. Segue mais um atentado de terrorismo urbanístico na Vila Madalena.
Conforme o alerta recebido abaixo pelo gabinete do vereador Andrea Matarazzo, na quarta feira o Digníssimo Vereador Zé Américo vai levar seu misterioso Projeto de Lei de Tombamento
 
dos bares da Vila Madalena, para a Comissão de Política Urbana.
É claro que não se refere aos bares diretamente, mas o honroso vereador escolheu justamente as ruas onde há a concentração mais nobre de afiliadas de "entidades gastronômicas" da Vila Madalena, nos quarteirões que ficam entre as ruas WIZARD, HARMONIA, GIRASSOL, FIDALGA e ASPICUELTA até a MEDEIROS de ALBUQUERQUE e GONÇALO AFONSO.

Visto que em momento algum os moradores do bairro foram consultados ao respeito e o tombamento não vai beneficiar as incorporadoras, restou apenas a tese de que este PL foi uma encomenda dos comércios ali instalados que lucram tanto ao custo da qualidade de vida da população local.

Mesmo que o tombamento seja um artifício interessante que possa preservar a vista arquitetônica da cidade, este trecho já foi desconfigurado desde a fuga em massa da maior parte dos moradores e não representa mais a verdadeira história do bairro, que não foi construído em função da indústria de cerveja e ruído, mas sim pelo suor das famílias imigrantes.

Para quem não puder comparecer na câmara dos vereadores na quarta-feira (pois temos que trabalhar muito para ter o privilégio de morar por aqui) resta a opção de enviar e-mails de consternação para os vereadores que não abandonaram a cidade para se canditarem a deputados, cujos e-mails encontram se na final da mensagem.

2. Lembrando que neste quinta feira, 28 de agosto 2014, às 19hna Paróquia de Sta. Maria Madalena, Rua Girassol, 795 estaremos reunidos com Ivan Maglio e a moradora e urbanista Lucila Lacreta que farão palestra sobre “Os Impactos do Plano Diretor na Vila Madalena”

3. Já foi publicado no site da USP a incrível tese de Francisco Saes da FAU-USP sobre a apropriação do espaço público no bairro da Vila Madalena, cujo orientador é nada menos que o Professor Dr. Cândido Malta Campos Filho.
Lembrando que a o nosso grupo de trabalho no CADES-PI ajudou na coleta das muitas entrevistas com a população local que foram descritos como uma "mina de ouro" pela banca que aprovou a tese:

O trabalho estudou as  "condicionantes de transformação presentes em ruas do bairro e seu impacto no cotidiano dos citadinos e nos seus modos de vida e moradia através de entrevistas, abordando as condições adversas locais , que revelam-se no mínimo incômodas devido à poluição sonora, ao tráfego e a grande afluência de pessoas ao local em busca de lazer, em nome da cultura e do turismo"

Sugerimos que os urbanistas, políticos, incorporadores, os donos dos bares e frequentadores que tem tanta sede pela Vila Madalena tomem nota e comecem a RESPEITAR as opiniões da população moradora.

Um abraço,





Na próxima quarta dia 27/8 ás 10.30 hs na comissão de politica urbana
Audiência de projetos diversos teremos o debate dos projetos 483/2012 Kassab que versa sobre imóveis
tombados e o projeto 277/2012 do Zé Américo que versa sobre tombamento de algumas
ruas da Vila Madalena.

Para essa audiência convidei a Nádia Someck

Por favor avisem outras associações interessadas pois vcs teriam direito
a se inscrever e questionar o projeto

--
Asunción Blanco - Assessora Parlamentar
Vereador Andrea Matarazzo
Viaduto Jacareí, 100 - São Paulo, SP
CEP 01319-040 ‎  (11) 3396-5022
NOSSOS VEREADORES:

abou anni PV
Endereço(s) de email(s):
  abouanni@uol.com.br
adilson amadeua PTB
Endereço(s) de email(s):
  adilsonamadeu@camara.sp.gov.br
andrea matarazzo PSDB
Endereço(s) de email(s):
  andrea@andreamatarazzo.com.br
arselino tatto PT
Endereço(s) de email(s):
  arselino@tatto.com.br
atílio francisco PRB
Endereço(s) de email(s):
  atiliofrancisco@camara.sp.gov.br
aurélio miguel PR
Endereço(s) de email(s):
  aurelio.miguel@camara.sp.gov.br
Dr. Calvo PMDB
Endereço(s) de email(s):
  calvo@camara.sp.gov.br
ari friedenbach PROS
Endereço(s) de email(s):
  contato@arifriedenbach.com.br
coronel Camilo PSD
Endereço(s) de email(s):
  contato@coronelcamilo.com.br
coronel Telhada PSDB
Endereço(s) de email(s):
  contato@coroneltelhada.com.br
Eduardo Tuma PSDB
Endereço(s) de email(s):
  contato@eduardotuma.com.br
Floriano Pesaro PSDB
Endereço(s) de email(s):
  contato@florianopesaro.com.br
Jean Madeira PRB
Endereço(s) de email(s):
  contato@jeanmadeira.com.br
antônio goulart PMDB
Endereço(s) de email(s):
  contato@vereadorgoulart.com.br
conte lopes PTB
Endereço(s) de email(s):
  contelopes@camara.sp.gov.br
Mario Covas Neto PSDB
Endereço(s) de email(s):
  covas@camara.sp.gov.br
Dalton Silvano PSD
Endereço(s) de email(s):
  daltonssilvano@camara.sp.gov.br
David Soares PSD
Endereço(s) de email(s):
  davidsoares@camara.sp.gov.br
Donato PT
Endereço(s) de email(s):
  donatopt@terra.com.br
Edir Salles PSD
Endereço(s) de email(s):
  edirsales@edirsales.com.br
Gilson Barreto PSDB
Endereço(s) de email(s):
  gilsonbarreto@camara.sp.gov.br
George Hato PMDB
Endereço(s) de email(s):
  gvhato@camara.sp.gov.br
Jair Tatto PT
Endereço(s) de email(s):
  jairtatto@camara.sp.gov.br
José Américo PT
Endereço(s) de email(s):
  joseamerico@camara.sp.gov.br
Juliana Cardoso PT
Endereço(s) de email(s):
  julianacardosopt@camara.sp.gov.br
Laércio Benko - PHS
Endereço(s) de email(s):
  laerciobenko@camara.sp.gov.br
Marco Aurélio Cunha PSD
Endereço(s) de email(s):
  marcoaureliocunha@camara.sp.gov.br
Marta Costa PSD
Endereço(s) de email(s):
  martacosta@camara.sp.gov.br
Ricardo Nunes PMDB
Endereço(s) de email(s):
  mbrugnera@camara.sp.gov.br
Milton Leite DEM
Endereço(s) de email(s):
  miltonleite@camara.sp.gov.br
Nabil Bonduki PT
Endereço(s) de email(s):
  nabil@nabil.org.br
Gilberto Natalini PV
Endereço(s) de email(s):
  natalini@camara.sp.gov.br
Netinho de Paula PCdoB
Endereço(s) de email(s):
  netinhodepaula@camara.sp.gov.br
Noemi Nonato PSB
Endereço(s) de email(s):
  noeminonato@camara.sp.gov.br
aurelio nomura PSDB
Endereço(s) de email(s):
  nomura@camara.sp.gov.br
Ota PSB
Endereço(s) de email(s):
  ota@camara.sp.gov.br
Paulo Fiorilo PT
Endereço(s) de email(s):
  parulofiorilo@camara.sp.gov.br
Paulo Frange PTB
Endereço(s) de email(s):
  paulofrange@camara.sp.gov.br
José Police Neto PSD
Endereço(s) de email(s):
  policeneto@camara.sp.gov.br
Reis PT
Endereço(s) de email(s):
  reisvereador13651@gmail.com
Ricardo Young PPS
Endereço(s) de email(s):
  ricardoyoung@camara.sp.gov.br
Sandra Tadeu DEM
Endereço(s) de email(s):
  sandratadeu@camara.sp.gov.br
Senival Moura PT
Endereço(s) de email(s):
  senival.pt@ig.com.br
Souza Santos PSD
Endereço(s) de email(s):
  souzasantos@camara.sp.gov.br
Toninho Vespoli PSOL
Endereço(s) de email(s):
  toninhovespoli@camara.sp.gov.br
Roberto Tripoli PV
Endereço(s) de email(s):
  tripoli@camara.sp.gov.br
Vavá dos Transportes PT
Endereço(s) de email(s):
  vavadotransporte@camara.sp.gov.br
Pastor Edmilson Chaves PP
Endereço(s) de email(s):
  vereador.predemilson@camara.sp.gov.br
Eliseu Gabriel PSB
Endereço(s) de email(s):
  vereador@eliseugabriel.com.br
Toninho Paiva PR
Endereço(s) de email(s):
  vereador@toninhopaiva.com.br
Patrícia Bezerra PSDB
Endereço(s) de email(s):
  vereadora@patriciabezerra.com.br
alfredinho PT
Endereço(s) de email(s):
  vereadoralfredinho@camara.sp.gov.br
claudinho de souza PSDB
Endereço(s) de email(s):
  vereadorclaudinho@uol.com.br
Marquito PTB
Endereço(s) de email(s):
  vereadormarquito@camara.sp.gov.br
Nelo Rodolfo PMDB
Endereço(s) de email(s):
  vereadornelorodolfo@camara.sp.gov.br

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº105 - inquerito cívil insuportabilidade da vida comum na Vila Madalena

Bom dia Vizinhos,
1. Justiça enfim.
Tenho a grande satisfação de repassar esta boa notícia para todos que perderam incontáveis noites sem dormir, que vivem sem saúde, qualidade de vida, sitiados nas suas casas e os que já desistirem de morar e trabalhar no bairro, e até os que já morreram em função da ditadura cultural promovida na Vila Madalena.
Que nossos direitos sejam respeitados e os responsáveis sejam enquadrados:

Senhora Representante,
Com fundamento no artigo 129, inciso VI, da Constituição Federal, e artigo 26, I, “b” e seu § 3º da Lei Federal nº 8.625, de 12.02.93, para instruir procedimento instaurado pelo Ministério Público, versando sobre ”Área Pública -  insuportabilidade da vida comum na Vila Madalena em virtude de ter se tornado reduto de boemia”, nesta Capital, venho à presença de Vossa Senhoria comunicá-lo da instauração do Inquérito Civil supra referido, conforme cópia da Portaria que segue anexa.

link para portaria
Att.,
MARIA SOFIA F C RIBEIRO
Oficial de Promotoria
Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital 
f. 3119-9119

Lembrando que o promotor do inquérito em anexo, o Dr. Mauricio Ribeiro Lopes, da Justiça da Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo descreveu o novo PDE como "uma crônica de uma morte anunciada" - a agenda política não deve misturar com o planejamento da cidade (informe SOSsego Vila Madalena nº 62)
Sobre o novo Conselho Participativo Municipal, Dr. Mauricio deu o seguinte alerta: "Subprefeito não é mini-Prefeito; Conselho de Representantes não é mini-Câmara de Vereadores; Conselheiro não é mini-vereador - devemos ter profunda cautela"
Esta visão deve ser compartilhada pelos candidatos de moradores do nosso bairro, que tiveram as suas candidaturas do Conselho Participativo maculados pelo representante da comissão eleitoral de Pinheiros, enquanto o conselho lotou de afiliados com apoio dos seus partidos políticos... (informe SOSsego Vila Madalena nº 68)
2. O Nosso Bar Vila Madalena
Segundo a entrevista no blog a VOZ DA VILA com o vereador e relator do novo PDE Nabil Bonduki
"a Vila precisa ser requalificada, de forma a permitir uma convivência equilibrada entre moradores e visitantes, comércio e residência, regulação de bares, o trânsito de passagem, eventos de massa que não comporta"
Ficamos céticos sobre a sinceridade da conotação, pois seus amigos na Subprefeitura de Pinheiros continuam passando a mão na cabeça da indústria de bebida e entretenimento no bairro, permitindo o funcionamento com ou sem alvarás concedidos de forma irregular e em toda oportunidade promovem o bairro como o maior polo "cultural" da cidade.
A Prefeitura já cedeu muito espaço no bairro para os interesses econômicos do SECOVI e da AMBEV que querem nos convencer que farão uma cidade adensada e mais sustentável como no vídeo do Bar do Corno na rua Belmiro Braga:

Ambos o casal do Corno e o bar são muitos simpáticos no vídeo, porém a rua Belmiro Braga e a Vila Madalena são os piores exemplos de falta de moderação e excessos 24 horas da cidade que a prefeitura e a AMBEV não têm vergonha de usar constantemente nas suas propagandas.
O Bar do Corno faz parte da franquia que mais cresce no Brasil, o NOSSO BAR  que inaugurada em 2011 já conta com mais de mil estabelecimentos que além de serem obrigados a trabalhar com as marcas da AMBEV pagam uma modesta taxa mensal de r$250 a r$500 para o privilégio.
Conforme a divulgação no site, o Nosso Bar busca "proporcionar ao cliente a possibilidade de ter acesso a um ambiente limpo, descontraído e familiar, com produtos de qualidade, entretenimento programado, com padrão visual apurado, mantendo, porém, valores familiares de cada bairro e comunidade"
Enquanto isso, o Prefeito Fernando Haddad, favorecendo novamente as casas noturnas e construtoras já encaminhou à Câmara Municipal de São Paulo o projeto de lei que pede autorização para a Prefeitura lançar um programa de parcelamento de dívidas com desconto de até 75% das multas e juros de quem descumprimento a Lei do Silêncio e a execução de obras sem alvará desde 2012.
Isso claramente contraria a sua promessa feita em entrevista em anexo de 31-10-2012 no seu primeiro dia como Prefeito quando diz em relação ao Lei de silêncio que não haverá alteração na lei.
3. O que eles querem para a VM na Lei de Uso e Ocupação do Solo?
Na quinta feira, 28 de agosto 2014, às 19hna Paróquia de Sta. Maria Madalena, Rua Girassol, 795 estaremos reunidos com Ivan Maglio e a moradora e urbanista Lucila Lacreta que farão palestra sobre “Os Impactos do Plano Diretor na Vila Madalena”
Temos que nos preparar as nossas demandas para a "consulta participativa" sobre a Lei de Uso e Ocupação de Solo e o SOSsego Vila Madalena vai continuar a exigir como nas consultas do PDE que bares e casas noturnas que geram ruído sejam consideradas "incômodos e incompatíveis com o uso residencial".
Por exemplo temos um novo vizinho, a LAPA 40 GRAUS :
Julgando pelo croqui não mora ninguém por perto, mas na verdade situa-se na Rua Inácio Pereira da Rocha num bairro de uso misto comercial e residencial. O local tem capacidade para 1500 pessoas, 2000m² e abre na maioria das dias das 18h até 5h de manhã. Tudo isso sem nenhum Estudo de Impacto de Vizinhança.
Só na Vila Madalena, no bairro que eles querem transformar num ZEPEC (Zona Especial de Preservação Cultural) com o objetivo de estimular a fruição e o uso público do patrimônio cultural. Pelo interesse econômico presente, não precisamos de nenhum estimulo extra, muito obrigado!
Até a 5ª feira que vem,
Um abraço, 


domingo, 6 de julho de 2014

Informe SOSsego Vila Madalena nº104 - abaixo assinado e reunião CONSEG

Boa noite Vizinhos.
1. Somos Campeões - A vice-prefeita, Nádia Campeão, que achou a Vila Madalena "uma surpresa positiva" e "escolha interessante" para celebrar a Copa deve estar muito contente, pois é oficial, o bairro é campeão mundial em festas bacanas. No dia do jogo BRASIL x COLÔMBIA, 04 de Julho de 2014, conseguimos bater o nosso recorde com 70 mil bêbados! http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/07/1481550-na-vila-madalena-torcedores-festejam-com-chuva-de-cerveja.shtml
A população moradora é de 60 mil e vem diminuindo conforme os relatos no rodapé de mais dois exilados pela ditadura cultural.
2. Caos e Efeito - Em resposta a esse tsunami cultural sem pressedentes, os moradores que ainda estão vivos no epicentro solicitaram que passe no nosso mailing o ABAIXO ASSINADO em anexo, que pode ser impresso nas suas casas e passado pela vizinhança. Quando a folha estiver preenchido enviaremos alguém do grupo de coordenação para retirar na sua casa para juntar ao processo sendo elaborado. Solicitaram também qualquer prova como fotos, boletins de ocorrência, protocolos do SAC, depoimentos assinados etc.
3. Reunião ordinária do CONSEG Pinheiros - Amanhã, segunda feira, 07-07-2014, às 19:30h, na Rua Simão Alvarez, 517, estaremos reunidos com representantes da Policia Civil, Policia Militar, Guarda Civil, e quem sabe, se nos comportarmos bem, algum representante da Subprefeitura de Pinheiros. Segue um link para o formulário de solicitações que deve ser preenchido e copiado para sua referência antes de protocolar na reunião.
Até amanhã,
SOSsego Vilamadalena

Obs. seguem mais depoimentos apocalípticos recebidos:

ROBERTO DE OLIVEIRA
Não são apenas os taxistas que dão marcha a ré no carro quando o destino desejado é a Vila Madalena. Na contramão das intermináveis micaretas, animadas por grande número de estrangeiros nestes tempos de Copa, um grupo de paulistanas resolveu colocar a região na geladeira até o fim deste Mundial.
Em sua última passagem pela Vila, Ericka Zahil, 25, ficou decepcionada com o que encontrou por lá, no sábado (28). "Não é mais a Vila. Virou outra coisa", dizia ela, enquanto se recompunha sobre um salto de 15 cm, depois de quase tropeçar numa montanha de lixo e de desviar-se dos cacos de vidro que agora se espalham pelas ruas.
Durante a jornada, teve ainda de driblar a marcação cerrada de brasileiros e estrangeiros. "Xaveco de bêbado? Tô fora!" Pensou em jantar num dos restaurantes, mas o fedor de xixi e outros odores a desencorajaram. Com menos de 20 minutos de perambulação, jogou a toalha. Pagou R$ 40 de estacionamento e foi para o Itaim. "À Vila não volto tão cedo."
Para a empresária, o astral de paz e amor que caracterizava as ruas do bairro foi trocado por um clima pesado, com drogas e muita bebedeira. "Os homens que vão lá não respeitam as mulheres. Acham que toda brasileira é vagaba'. Só volto para lá depois que a muvuca acabar."
Na última sexta (4), cerca de 70 mil pessoas acompanharam o jogo da seleção na Vila, segundo a PM. A turma produz, além de paquera e barulho, lixo em grandes quantidades --nas duas últimas partidas, foram recolhidas 92 toneladas de detritos.
'FIM DO MUNDO'
Assídua frequentadora de bares como o São Bento, o Filial, o Quitandinha e o Genésio, a nutricionista Camila Zanini, 26, também vai dar um tempo. "Do jeito que está, não dá. Vá à Vila Madalena, mas não me convide", dizia.
Um dos bairros mais aconchegantes de São Paulo, a Vila Madalena, com seus bares, cafés, lojas, galerias, ateliês de arte, poetas de rua e muros estampados de coloridos grafites, tornou-se, ao longo do tempo, ponto de encontro de diferentes tribos urbanas.
Segundo Camila, porém, a Vila Madalena mudou seu perfil. "O bairro sempre foi frequentado por um pessoal despojado, descolado e bonito, mas, agora, as ruas estão tomadas por um público bem diferente."
Para essa turma de baladeiros desencantados, a região nem parece a Vila Madalena. "Gente bebendo no gargalo da garrafa no meio da rua, calçadas fétidas, com lixo para todo lado. Isso não é a Vila", fez questão de dizer Camila, assegurando que sua avaliação não era preconceituosa, mas calcada na observação. "Não quero desprezar ninguém. Todo mundo tem o direito de se divertir, mas com o mínimo de civilidade. O público caiu do A para o C."
Presidente da Savima (Sociedade Amigos da Vila Madalena), Cassio Calazans de Freitas, 57, concorda que as pessoas que atualmente participam das micaretas na Vila não fazem parte do público que tradicionalmente costuma circular por lá.
É fato que, nestes dias, além de se esquivarem dos ambulantes, os passantes vão topar com gente brigando no meio da rua, resultado da bebedeira generalizada.
Acostumada a frequentar os bares da Vila nas noites de sábado e nas tardes de domingo, Ana Foger, 30, levou um susto com o que encontrou nos dias de jogos. "O que eu vi não é a Vila Madalena", disse. "É vergonhoso: mulheres tirando a roupa para fazer xixi na calçada, oferecendo-se para os caras, vendedores de droga no grito. As pessoas agem como se estivessem às vésperas do fim do mundo."
E, pelo jeito, vão agir assim até o fim da Copa, no dia 13.
Depois de três décadas, vou me mudar do bairro

Depoimento  MARCELO LEITE
Três décadas atrás, quando me mudei do Baixo Augusta para a Vila Madalena, os bares apenas começavam a chegar. Entre os primeiros estavam o Olívia, na famigerada esquina da Aspicuelta com a Mourato Coelho, e o BarTolo.
Naquele tempo as pessoas iam ao bar para conversar, o que hoje parece impossível. Política, cinema, literatura, filosofia, revolução, psicanálise --tudo era assunto para impressionar as moças ou impressionar-se com elas.
Com o tempo, os estudantes da USP se tornaram profissionais, e o bairro se "gentrificou". Os botecos viraram território de outra moçada, mais indiscriminada em matéria de beber, beijar e pegar.
A Copa é só mais um pretexto para se esbaldar. Um pouco mais do que os moradores já enfrentam algumas vezes por ano, com a Feira da Vila e os blocos de Carnaval. Qual é o problema?
O problema é que a turma é de selvagens. Gritam debaixo de sua janela, urinam pelos cantos, dirigem embriagados e atraem ladrões e flanelinhas. As famílias já não levam cadeiras para a calçada.
E não é só no Carnaval e na Copa. A partir de quinta o pessoal começa a perder a noção. A prefeitura acordou meio tarde para a invasão e o rastro de lixo e amônia que fica para trás. Mas o que, afinal, não foi improviso no torneio?
Uma cidade como São Paulo precisa de bairro assim, em que as paixões possam transbordar. Um pouco de educação viria a calhar, mas nunca foi a regra de hordas, menos ainda quando o motivo é futebol.
É bom poder caminhar até restaurantes, livrarias e lojas bacanas.
Mas, por essas e por outras, mudo de bairro em agosto. Vou para a Vila Romana, que tem um jeito de Vila Madalena três décadas atrás.